sábado, 7 de abril de 2007

Little drops II


Engraçado esse negócio de blog. Acho que a idéia inicial é de que o negócio fosse um diário virtual, certo? Pois é, mas quem já teve diário ‘de verdade’ sabe e tem que concordar comigo: só a remota idéia de que um irmãozinho pentelho estivesse mexericando no seu diário querido era o bastante pra dar lugar a alguns pensamentos meio sórdidos sobre o destino do tal pentelhinho, não? Tá, isso é exagero, mas não dava vontade de bater em quem estivesse com o seu diário na mão? Era pra ser segredo... mas olha como a coisa muda com esse negócio de virtual. Hoje, se você tem um blog, quer mesmo é que as pessoas te leiam. E hoje em dia, se alguém disser que consegue passar mais de uma semana off-line, todo mundo acha que o cara é um herói.

É a hora que eu tenho que concordar com o Mc Luhan, que já previa ‘os meios de comunicação como extensão do homem’ e o ‘meio é a mensagem’. Cara... bizarro demais esse negócio.
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Escrever é a melhor coisa do mundo. Escrevendo você chora, ri, se encanta, xinga, dorme, sonha, come... concordo plenamente com aquelas teorias sobre a capacidade de abstração e evolução do Homem através da escrita. E hoje, depois da aparente apoteose da escrita na história humana, depois de todo o desenvolvimento que conseguiram até agora, parece que tudo vai acabar com uma guerra nuclear. Vai que Einstein estava certo quando disse que a III (ou IV, whatever) Guerra Mundial ia ser feita com paus e pedras... vai saber, né? (se ainda restar isso pra fazer guerra, bem provavelmente!)
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E esse tal de hiato criativo de novo... se for jornalista desse jeito corro o sério risco de passar fome. Se precisar depender da tal inspiração toda vez que tiver que escrever alguma coisa, só tenho uma previsão: fudeu.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

oh, vita! oh vita mia...

É, e esse negócio de projeto de monografia tá mesmo me tirando do sério. O foda é que não consigo ir nem pra um lugar, nem pra outro. Culpa do tal do ‘hiato criativo’ de novo. Se fico aqui, na frente do PC, não consigo fazer sair nada. Hoje passei o dia acordada (pra variar) e meus neurônios continuaram dormindo, feito pedra. Se resolvo sair de casa, a ‘culpa cristã’ me vem nas costas e junto aquela sensação de ‘você devia estar estudando agora!’. Se resolvo ficar, continuo na mesma. E como se não bastasse, ainda preciso terminar um zilhão de coisas pra semana que vem. Desse jeito, vou acabar virando mais uma drop-out na faculdade. Sair fora mesmo.

Dizem por aí que chega um momento na sua vida em que, se você começa a filosofar demais, fica doido. Morro de medo de isso acontecer comigo. Não que eu seja uma espécie de eremita urbana, mas, afinal de contas, TUDO é motivo pra causar. TUDO é motivo pra me fazer pensar em alguma coisa. Muito, mas muito foda isso, porque na verdade se só pensar nos problemas conseguisse resolver todos eles, acho que ninguém teria mais nenhum. Mas enfim, né? “O que não tem remédio...”

Então o negócio é botar a cabecinha pra funcionar e sair dessa areia movediça da falta de idéias. Alguém tem uma boa pra me sugerir?

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Eu, etiqueta

Um dos meus favoritos do Drummond


Em minha calça está grudado um nome
Que não é meu de batismo ou de cartório
Um nome... estranho
Meu blusão traz lembrete de bebida
Que jamais pus na boca, nessa vida,
Em minha camiseta, a marca de cigarro
Que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produtos
Que nunca experimentei
Mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
De alguma coisa não provada
Por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
Minha gravata e cinto e escova e pente,
Meu copo, minha xícara,
Minha toalha de banho e sabonete,
Meu isso, meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências.
Costume, hábito, premência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
Seja negar minha identidade,
Trocá-lo por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros, tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solitário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio
Ora vulgar ora bizarro.
Em língua nacional ou em qualquer língua
(Qualquer, principalmente.)
E nisto me comprazo, tiro glória
De minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
Para anunciar, para vender
Em bares festas praias pérgulas piscinas,
E bem à vista exibo esta etiqueta
Global no corpo que desiste
De ser veste e sandália de uma essência
Tão viva, independente,
Que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
meu gosto e capacidade de escolher,
Minhas idiossincrasias tão pessoais,
Tão minhas que no rosto se espelhavam
E cada gesto, cada olhar,
Cada vinco da roupa
Sou gravado de forma universal,
Saio da estamparia, não de casa,
Da vitrine me tiram, recolocam,
Objeto pulsante mas objeto
Que se oferece como signo de outros
Objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mar artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisamente.

Little drops


It’s like one more drop of water in the midst of a full cup can make the whole thing overflow in a way maybe you can’t hold back again (but just MAYBE you can’t).
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This pressing-into-yourself too much is highly destructive and harmful. People should just do it to themselves in extreme cases. Or all the time in those helpless extreme-cased-lives…

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Viva a liberdade de expressão, a Internet, o mundo pós-moderno e a democracia. Pena que ninguém saiba exatamente o que cada um deles significa. Mas viva mesmo assim!